19 abril, 2017

Desculpa, mas me sinto bem assim


Quando eu completei meus 14 anos, me deparei com um mundo totalmente diferente daquele que eu estava acostumada a viver. Mal sabia eu que iria me sentir um ET no meio desse novo mundo, que iria me sentir completamente deslocada dentro dele. Todas as minhas amigas, de repente, começaram a usar maquiagens, se vestir de uma maneira diferente e arrisco dizer que até agir de maneira diferente. Mas eu continuei na mesma, por um tempo, sem dar muita bola pra isso. Ficava só observando as coisas ao meu redor mudarem, e acho que foi neste exato momento que Alice no País das Maravilhas começou a ganhar um significado muito grande em minha vida. Passei a entender como a Alice se sentiu quando as coisas à sua volta começaram a mudar, a ficar diferentes.

Como toda adolescente que quer ser aceita pelos outros, eu tentei me encaixar em algum grupo pra poder fazer parte da galera. Por algum tempo, eu cheguei mesmo a creditar que isso era necessário para que eu pudesse ser aceita, mas sempre fui um peixe fora d'água. Claro, quando somos adolescentes, qualquer coisinha, por mais boba que seja, parece ser o fim do mundo. Você ser diferente dos outros principalmente. Quando você percebe que não se encaixa em nenhum grupo, você começa a se sentir triste, não aceito e até mesmo rejeitado por todos. Mas claro que depois de um tempo isso tudo passa.

Eu tentei por algum tempo me encaixar, mas nunca consegui, porque como eu já falei, sempre fui um peixe fora d'água. Só que, no meio do caminho, eu percebi que essa babozeira toda era perda de tempo. Eu não precisava me encaixar em lugar nenhum; precisava ser aceita por quem eu era e sou! Óbvio que não foi tão fácil chegar a essa conclusão, afinal, estamos falando de uma das primeiras fases mais complicadas das nossas vidas, né! 

Hoje decidi falar sobre esse assunto porquê, alguns dias atrás, me deparei com uma situação que me lembrou muito essa fase da minha vida. Eu estava andando pelo centro da minha cidade quando um rapaz me parou e ficou tentando, a todo custo, me convencer a fazer aulas na escola Embelleze. Claro que eu não tinha nenhum interesse e deixei isso bem claro desde o início. Mas ele continuou insistindo que eu poderia ganhar muito dinheiro e blá, blá, blá. Até aí, a conversa não estava tão desagradável, então ele começou a perguntar quanto eu pagava pra fazer uma progressiva e, quando eu disse que não fazia mais progressiva porque eu estava cansada de como aquilo acabava com o meu cabelo, ele me olhou como se eu fosse de outro mundo. Mas ok, até aí tudo bem! Já estou acostumada com olhares desse tipo.

Ele se "conformou" com a minha resposta e tentou outra tática. Perguntou se eu sabia me maquiar. Quando eu disse que sabia só que não gostava muito, principalmente no calor, ele olhou pra mim e fez um comentário/ pergunta super escrota para aquela situação; perguntou se eu não era vaidosa. Na hora eu fiquei tipo: comassim quirido? Quer dizer então que, só porque eu não faço progressiva, não gosto de deixar minhas unhas cheias de frufru e não gosto de me maquiar, quer dizer que eu não sou vaidosa? Desculpa, mas eu não sou obrigada e não preciso fazer nada disso pra ser vaidosa, tá?! Então, me poupe, se poupe e nos poupe querido!

Nem preciso dizer que ele perdeu totalmente a minha atenção depois daquela, né?! E foi isso que me fez lembrar aquela minha época dos 14 anos, onde eu amava passar lápis de olho e deixar ele bem escuro (época a qual queria ser aceita por não sei quem). Lembro que a primeira vez que apareci com lápis de olho na escola, uma colega chegou em mim e disse que era pra usar bastante maquiagem mesmo, na chuva ou no calor, não importava. Que era pra passar bastante base, lápis de olho, rímel, chapinha no cabelo, batom, e um monte de outras coisas, porque eu tinha que ser vaidosa. Mas desde que eu entrei nesse mundo, eu percebi que aquilo não era pra mim. Eu nunca gostei de usar maquiagem (só uso em dias específicos, como uma festa por exemplo), e isso até hoje não mudou em mim. Sou feliz assim e ponto!

Só tenho que dar os meus parabéns pra quem consegue passar base no calor. Até mesmo pra quem gosta de usar maquiagem todos os dias. Se eu já me sinto incomodada de passar uma base pra ir em uma festa, quem dirá todo dia. Eu não nasci pra isso, sorry! E não é porque eu não gosto que isso faz de mim uma pessoa menos vaidosa e que não se cuida.

Não sou uma pessoa que se considera feminista, mas sei que todas nós mulheres temos o nosso lado feminista dentro da gente, mesmo que a gente não se considere uma. Essa situação fez esse meu lado despertar, além de ter me feito refletir muito sobre o assunto. Não sou a pessoa que tem uma auto-estima lá em cima, mas tem certas ocasiões que me fazem ter orgulho por ser do jeito que eu sou e não do jeito que os outros gostariam que eu fosse. E só pra deixar claro, não tenho nada contra quem gosta de se maquiar todo dia ou gosta de  fazer progressiva. Só não gosto quando as pessoas me dizem que eu preciso fazer o mesmo pra ficar mais bonita. Me sinto muito bem do jeito que eu sou e é isso o que importa!

08 março, 2017

Carta de amor aos mortos, de Ava Dellaria

A primeira vez que li esse livro achei ele muito sem sal e sem graça. Achei a protagonista muito imatura por querer ser e parecer com a irmã dela, ter as mesma experiências e praticamente ter a mesma vida que ela teve, sempre tentando agir como ela agia. Eu entendia que Laurel estava sofrendo com a perda da irmã, mas ainda assim, Laurel parecia estar muito imatura ao meu ver. Por causa disso, acabei decidindo que esse ano iria reler esse livro, para ver se eu teria outra visão dele, porque acredito que quando o li pela primeira vez, eu não estava no momento, sabe? E como agora eu estou lendo mais livros com essa pegada, achei que seria uma boa ideia dar uma nova chance à ele, porque quando li a primeira vez, não consegui me conectar tanto com a história nem com os personagens. Mas agora, acho que foi o momento certo para ler.
Laurel acabou de perder sua irmã e, para evitar comentários e perguntas sobre a morte dela, a garota decidiu mudar de escola. Agora, além de ter que conviver com a falta da irmã, ela tem que enfrentar novos desafios como começar o ensino médio, fazer novos amigos e seguir em frente, além de ter de conviver com um sentimento de culpa e mágoa que carrega dentro de si. Mas, para conviver com isso, Laurel acaba usando uma tarefa da aula de inglês para desabafar e poder lidar consigo mesma e com os fantasmas que a assombram.

Título: Carta de Amor aos Mortos
Autor: Ava Dellaria
Páginas: 344
Editora: Seguinte
Sinopse: Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky.
Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.
Sua família também não está nos melhores momentos, pois, dois anos antes de tudo acontecer, seus pais decidiram se separar. Foi a partir daí que Laurel viu sua vida ir mudando aos poucos. Sua irmã, May, estava indo para o ensino médio, onde um novo mundo à aguardava, um mundo o qual Laurel não poderia fazer parte, pois ainda era muito nova. Laurel sempre admirou demais a irmã, desde quando ela era nova e sempre fazia de tudo para deixar a família feliz e unida. As duas eram como melhores amigas, então, quando May saía escondida durante à noite, Laurel esperava quando ela voltava e ia ao seu quarto lhe contar as aventuras que viveu durante a escapada. Isso fazia Laurel se sentir parte desse novo mundo de May, e isso à deixava muito feliz. 
"Mas, na vida, a gente nunca tem certeza do que vai acontecer, mesmo que planeje tudo. Pode haver uma reviravolta, sempre acontece." (pág. 38)
Como se não bastasse a morte da irmã, a mãe de Laurel decidiu que precisava de um tempo só para ela e foi morar em um racho na Califórnia. Claro que isso só fez Laurel se sentir mais desamparada, além de se sentir culpada por tudo o que aconteceu. Ela ainda tinha o pai, mas depois da separação e da morte de May, ele já não parecia mais o mesmo de antes. Laurel também tinha sua tia Amy, uma mulher solteira e muito religiosa. A garota começou a passar as semanas que ficava no apartamento da mãe com sua tia. Sua mãe até tenta manter um contato agradável com ela, mas Laurel ainda está muito magoada e chateada por conta do abandono da mãe, mas tenta amenizar essa falta com suas novas amizades.

Através de cartas para pessoas famosas que já morreram, a garota começa a contar coisas que estão acontecendo na sua vida e como está sendo lindar com tudo o que aconteceu e que está acontecendo agora. Enquanto tenta seguir em frente, Laurel tenta se redescobrir, faz novos amigos e tenta viver com sua dor, mesmo não, sendo fácil. Mas ela sabe que não tem como escapar de tudo o que viveu com May e que mais cedo ou mais tarde, ela tem que aceitar a verdade, que sua irmã era incrível, mas também era imperfeita como qualquer outra pessoa.
"Às vezes, quando a gente guarda muita coisa aqui dentro, precisa encontrar uma maneira de se expressar." (pág. 167)
O livro é narrado em primeira pessoa e tem um ar um pouco pesado e bem melancólico, mas ainda assim a leitura consegue fluir de maneira bem leve. Claro, no começo o ritmo é um pouco lento, mas vai acelerando conforme os acontecimentos e descobertas vão sendo revelados. Como eu disse no começo dessa resenha, a primeira vez que li esse livro, não consegui me conectar totalmente a história, talvez por conta de os personagens não serem tão cativantes, mas dessa vez eu consegui. Eu consegui sentir a dor da Laurel, o vazio, a mágoa e o desamparo que ela sentia por conta da falta da irmã e da própria mãe. Senti tudo muito mais intenso do que a primeira vez, e, de certa forma, isso foi muito bom. Com o decorrer da história, vamos descobrindo o que realmente aconteceu na noite em que May morreu e o porquê Laurel se senti tão culpada pelo ocorrido.

Achei a edição muito caprichosa e bem delicada também. As páginas do livros são bem fininhas e isso me passou um pouco da fragilidade da Laurel. Apesar de algumas vezes querer entrar no livro e dar uma sacudida na Laurel e dizer para ela parar de agir de maneira imatura, outras vezes tinha vontade de abraçar ela e consolá-la.  Sim, fiquei muito na duvida se eu gostava ou não da Laurel, mas cheguei à conclusão de gosto sim. A história é envolvente e passa uma mensagem muito linda e forte: sobre como precisamos ser fortes e corajosos para continuar, mesmo que tenhamos perdido a pessoa que mais amamos no mundo.

03 março, 2017

Eu ainda estou aqui!

Imagem: Tumblr

Há um bom tempo eu tenho repensado em tudo o que tem acontecido na minha vida, em como as coisas se transformaram à minha volta em tão pouco tempo. Muitas coisas em mim mudaram, meus gostos, minha visão sobre o mundo, sobre pensamentos, pessoas, vontades, enfim. Se você me perguntasse o que eu queria ser quando era criança, minha resposta sempre era bióloga. Sempre amei a natureza e os animais, (mesmo tendo um grande medo de insetos). Mas, como uma boa parte das pessoas, acabei mudando esse sonho, porque conheci coisas novas que passei a gostar muito também.

Mesmo tendo uma certa porcentagem da natureza por perto, ainda sinto que moro num mundo de bloco e concreto, com pessoas que vem e vão sem ao menos notar aquela florzinha ali, que mesmo com todo esse concreto, conseguiu nascer e florescer no meio dele.

A verdade é que me perdi. Sempre encontrei no blog uma forma de expressar meus sentimentos, seja eles da maneira que for. Mas percebi que me perdi no meio do caminho, perdi minha essência. Percebi que fiquei muito no automático aqui, só postando resenhas e falando sobre livros. Ok, isso é uma coisa que eu gosto muito, muito mesmo de falar, mas eu não gosto apenas disso, oras! Também gosto de compartilhar coisas aleatórias, coisas sobre mim, do meu dia a dia. Só para vocês terem uma noção, a última coisa que compartilhei que tenha haver comigo, foi quando compartilhei algumas metas que quero cumprir esse ano, e isso foi dia 2 de janeiro. Depois desse dia eu não postei mais nada que não fosse relacionado ao mundo literário. Eu já estava em um modo automático demais ano passado, mas esse ano a coisa até parece que piorou. Eu praticamente virei um robô.

Uma vez escrevi um texto aqui no blog sobre a diferença entre viver e sobreviver. Reli ele esses dias e percebi que eu estou apenas sobrevivendo. Isso é muito triste! Quando a gente caí em si de que estamos vivendo apenas por viver, parece que tudo perde o sentido e a graça, pois nada consegue te agradar mais. E, bem, é assim que estou me sentindo ultimamente. Acho que é por isso que ando tendo um bloqueio criativo tão grande que parece não ter fim. Sério, não consigo fazer praticamente nada por causa dele, por falta das ideias. Pior é quando eu tenho uma ideia mais não consigo colocar ela em prática. Isso acaba sendo desgastante e muito desmotivador.

Ainda não encontrei a formula mágica para a felicidade, mas sei que para ser feliz basta você estar bem consigo mesmo. Mas enfim. Eu ainda estou aqui, dando o melhor de mim sempre e me esforçando para que essa fase passe o mais rápido possível. Me encontrando novamente nesse mundo e redescobrindo meus gostos e tudo o mais. Então, não deixe que sua vida caía na mesmice e você comece a fazer as coisas no automático. Vamos viver e não apenas sobreviver.